quarta-feira, setembro 23, 2020
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Esta é, sem dúvida, a resposta mais ouvida pelas crianças que se preparam para ingressar no 1º ciclo do ensino básico, quando questionadas sobre o que vão fazer na escola. Deixando para trás as salas de jardim de infância (ou as casas dos avós...), iniciam agora o seu percurso escolar formal.

A criança tem, neste momento, grandes expectativas em relação à leitura. Aprender a ler vai dar-lhe acesso a um mundo novo: penetrar no universo das histórias, decifrar legendas de programas televisivos ou digitais, descobrir instruções de jogos, etc.

Todavia, a aprendizagem formal da leitura é um processo longo (e nem sempre fácil). É frequente, nesta fase, que pais e professores se angustiem, e que a própria criança (cheia de expectativas) se sinta, por vezes, dececionada.
Esta é, portanto, uma fase extremamente delicada, pois a obsessão pela aprendizagem da decifração (muitas vezes por parte dos adultos) pode comprometer seriamente a aprendizagem e o desenvolvimento do gosto pela leitura, e a consequente formação do leitor.

Partilhamos, neste sentido, duas ideias (muito fáceis de pôr em prática) que em muito poderão contribuir para tornar este momento mais tranquilo, e para fazer germinar e crescer as sementes do amor ao livro e à leitura.

 

1. Continuar a ler, gratuitamente e diariamente, para as crianças.

É fundamental que pais e professores continuem a alimentar o gosto e o prazer de ler.
Pode, de facto, ser uma tentação deixar de ler à criança, sob pretexto de que "ela agora já sabe ler". Mas, na verdade, não sabe. Aprender a ler é um processo demorado que comporta a aprendizagem de todo um código e das suas diferentes combinações (a fase da decifração). Até que a criança domine esse código, de modo a poder ler com a velocidade suficiente que lhe permita compreender o que lê, decorrem vários meses, muitas vezes em número superior a um ano letivo.

Se à criança que vinha habituada a ouvir ler, pela voz do educador no jardim de infância, ou dos pais na hora de deitar, tendo garantido o seu aporte diário de alimento do imaginário, lhe é retirado esse momento de graça, a imagem da leitura vai ficar reduzida a um amálgama de textos soltos do manual escolar, compostos intencionalmente para o ensino da decifração, aos quais falta um enredo, um fio narrativo sólido, uma alma. Se a par do ensino da decifração, deixarmos de ensinar o gosto, de juntar afeto, a leitura depressa se transformará numa atividade aborrecida e sem grande sentido.

Continuar a ler para e com a criança depois da entrada no ensino formal, e ao longo de todo o percurso do 1º ciclo, é garantir que o imaginário e a enciclopédia literária do leitor em formação continuam a ser alimentados. E é também uma oportunidade única de estreitar laços afetivos.

Não podemos deixar de recordar, a este propósito, o célebre trabalho de Daniel Pennac Como um Romance, onde o autor, sem complacências, apresenta um retrato bastante fiel deste momento crítico:

"Que grande traição!
Ele, a leitura e nós próprios formávamos uma Trindade todas as noites reconciliada; agora, ele está sozinho perante um livro que lhe é hostil.
A leveza das nossas frases libertava-o do peso; agora, a indecifrável agitação das letras sufoca-o a tal ponto que até o impede de sonhar.
Nós tínhamo-lo iniciado na vertical; agora ele está esmagado pela imensidão do esforço.
(...)
Éramos os contadores, passamos a ser os contabilistas."
Pennac, 2003: 48-50 [1ª ed. 1991]

 

2. Selecionar bons livros

A produção literária para a infância oferece hoje um manancial de temas e de discursos muito variados. É importante que da biblioteca do pequeno leitor façam parte textos de qualidade, textos do património tradicional, textos de temáticas atuais, textos com "temas sérios", textos com humor, poesia, narrativa, álbuns e livros-objeto.
Alguns dos temas presentes na atual literatura para a infância já foram sendo tratados neste espaço, como por exemplo as representações da infância, dos avós, do ambiente, do verão, da arte, da interculturalidade, entre outros.

Quanto mais diversificarmos a oferta e sairmos de lugares comuns (como livros inspirados em séries e programas de televisão, ou adaptações redutoras de alguns clássicos com ilustrações estereotipadas), mais enriquecida ficará a enciclopédia literária do pequeno leitor. Dizemos pequeno, convictos, porém, de que a boa literatura de potencial receção leitora infantil se destina a todas as idades, como temos vindo a confirmar, ano após ano, através do Programa ELF.

Acreditamos na bondade dos livros e no seu potencial transformador. Continuaremos, pois, a alimentar estas duas ideias para que a leitura tenha sempre, mas neste momento em particular, um lugar especial em cada lar.

Ao longo dos próximos dias apresentaremos, na nossa página de facebook e no nosso Instagram, algumas sugestões de leituras a integrar a seleção Vou para a escola: vou aprender a LER!

Desejamos a todos um bom ano letivo!

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Projeto aLer+2027 do Agrupamento de Escolas António Feijó mereceu destaque no âmbito do Plano Nacional de Leitura.

Fruto do trabalho desenvolvido no âmbito do projeto aLer+2027, o projeto "Canteiros de Leitura a Unir o Mundo", foi um dos 22 projetos selecionados a nível nacional, num universo de 144,  encontrando-se em destaque na página oficial do PNL, acessível através do link http://www.pnl2027.gov.pt/np4/alermais_2027_diariosdebordoemdestaque.html.  Ao projeto foi atribuída a verba de 1000 euros para aquisição de fundo documental, que permita a continuidade das várias ações previstas no projeto.

Trata-se de mais uma boa notícia para o Agrupamento e suas bibliotecas que, mais uma vez, vêem reconhecido todo o trabalho de promoção da leitura e formação de leitores que tem vindo a desenvolver.

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Depois do primeiro prémio, mais um galardão foi atribuído a uma aluna do Agrupamento António Feijó, no concurso "Uma Aventura...  Literária 2020".  Desta feita, a aluna Marta Cerqueira da turma 8ºA foi distinguida com uma Menção Honrosa pelo trabalho com que participou, na modalidade de texto original, 3º Ciclo.

A sua escola e agrupamento estão orgulhosos do seu desempenho e de todos aqueles que, com o seu trabalho e dedicação, continuam a prestigiar os seus professores e a sua escola. Para além do Diploma de Menção Honrosa, a aluna receberá um livro, oferta da Editorial Caminho.

Trata-se de uma forma brilhante de concluir um ano letivo atípico, com o reconhecimento do valor, criatividade, imaginação e empenho dos nossos alunos num concurso deste nível!

Na edição deste ano a editorial Caminho recebeu mais de 14 mil trabalhos, individuais e de grupo de alunos de escolas de todo o país, incluindo Açores e Madeira e também de escolas de França, Suíça, Macau, Cabo Verde e Brasil, candidatos ao maior do género em Portugal!

Recordamos que, também no corrente ano letivo, a aluna Ana Luísa Gonçalves, da Turma D do 8.º ano de escolaridade da Escola Básica António Feijó foi a grande vencedora da edição 2020 do Concurso "Uma Aventura… Literária", na modalidade de texto original individual, na categoria destinada a alunos do 3º Ciclo do Ensino Básico.

Damos a conhecer o texto da Marta cerqueira:

Uma aventura rumo ao desconhecido

-Estou farta de estar aqui, não sei onde estou, não sei que horas são, não sei o que existe aqui, sei apenas que estou numa ilha, que me chamo Rute - dizia eu.

De certeza que vocês se estão a questionar sobre o local a que me refiro, por isso vou contar-lhes a minha história.

Foi no dia dez de junho que decidi embarcar rumo à aventura, viajar de barco sozinha e, por muito que a minha mãe me dissesse para não ir, me alertasse para os riscos que podia correr, para as doenças que podia apanhar… e para todas aquelas coisas que as mães nos estão sempre a dizer e que nós já sabemos de cor, eu parti na mesma. Com antecedência, preparei tudo aquilo de que precisava: os mantimentos, a água, a roupa, as panelas … tudo!! Por volta das seis da manhã, embarquei, pois queria chegar o mais depressa possível a terra, mas a viagem que eu estava a fazer não era daquelas viagens em que programamos tudo, não, a minha viagem era para ir até aonde me apetecesse, sem me preocupar com nada.

Logo no início da viagem, deparei-me com uma tempestade, por isso coloquei o colete salva-vidas, pus a mochila às costas e continuei a remar com a esperança de encontrar um sítio em terra onde me pudesse abrigar. De repente, o barco chocou contra alguma coisa, virou-se e, então, eu bati com a cabeça não sei onde, desmaiei e acordei naquela ilha, sem telemóvel, sem barco, sem nada que pudesse usar para voltar para casa ou para pedir ajuda

Não sei que horas eram, porém, pela posição do sol, devia de ser por volta do meio-dia, por isso peguei na mochila, tirei uma lata de atum, fiz uma pequena fogueira, pus a panela em cima, coloquei a água e, quando esta começou a ferver, pus a massa que tinha trazido a cozer. De seguida, comi, apaguei a fogueira, arrumei tudo e fui explorar o local.

A ilha era linda, verde, calma, acolhedora, maravilhosa, contudo, parecia deserta. Caminhei durante várias horas até que avistei uma pequena cabana, olhei pela janela, todavia não estava ninguém no interior. Entrei e vi uma penela com restos de comida ainda mornos. Havia ainda duas chávenas em cima de uma mesa, peguei numa e servi-me de um pouco de café que já estava feito há algum tempo. Posteriormente, apercebi-me de umas sombras, pousei logo tudo no sítio e escondi-me atrás e um pequeno sofá, no entanto, consegui ver que entrara um homem seguido de uma mulher e de uma criança.

-Quem és tu e o que estás aqui a fazer? - perguntou o homem que me conseguiu detetar.

-Eu sou a Rute. Estava a fazer uma viagem de barco, bati nalguma coisa e vim aqui parar. Desculpe a pergunta, mas quem é o senhor?

-Eu sou o Artur, esta é a minha mulher Rita e esta é a nossa filha Aurora.

-Prazer! -disse eu -Peço desculpa pelo incómodo. Será que o senhor me pode ajudar a voltar para casa?

-Claro, não és a primeira pessoa a vir parar a esta ilha e a entrar na nossa casa. Tenho ali um telemóvel, anda comigo.

Assim fiz, liguei à minha mãe, que ficou furiosa, mas preocupada ao mesmo tempo. Perguntei ao senhor o nome daquela ilha, disse-o à minha mãe e ela ligou à polícia para me ir buscar. Quando esta chegou, agradeci ao senhor Artur e à sua família e regressei a casa.

Esta foi a minha fantástica aventura, da qual gostei muito, apesar de perigosa!

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Ler durante as férias é um conselho das Bibliotecas Escolares do Agrupamento António Feijó, dirigido a toda a comunidade educativa. A presente proposta está disponível para toda a comunidade educativa a  partir de um dos blogues que, ao longo de todo o ano letivo promove a leitura e forma leitores, dando suporte a um dos projetos mais emblemáticos e com maior sucesso no nosso agrupamento, a "Educação Literária na Família".

A proposta pode ser consultada AQUI.

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A aluna Ana Luísa Gonçalves, da Turma D do 8.º ano de escolaridade da Escola Básica António Feijó foi a grande vencedora da edição 2020 do Concurso "Uma Aventura… Literária", na modalidade de texto original individual, na categoria destinada a alunos do 3º Ciclo do Ensino Básico. O primeiro lugar foi obtido ex-aequo.
Este concurso é promovido pela Editorial Caminho e os trabalhos vencedores serão publicados numa futura edição da coleção "Uma Aventura", que tem grande aceitação junto do público juvenil em Portugal. Além da publicação, a aluna receberá um cheque livro e a escola será contemplada com um livro brinde surpresa. Todos os alunos participantes receberão diplomas de participação.
Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, consagradas autoras da coleção "Uma Aventura, deixaram a sua mensagem aos participantes em geral, e premiados em particular: “Nos anos anteriores a entrega de prémios na Feira do Livro de Lisboa foi sempre uma festa super animada. E nós tivemos o prazer de conhecer muitos dos nossos leitores, os educadores e professores que os acompanharam, os pais, avós, tios e padrinhos que puderam comparecer. Foi ótimo conversar um pouco e tirar fotografias que guardamos com tanto carinho. Infelizmente este ano, a pandemia impede o nosso encontro com os premiados na Feira do Livro de Lisboa. Por isso aqui estamos para vos abraçar a distância, para desejar que continuem a ler, a escrever e a desenhar cada vez melhor.
Fazemos votos para que no próximo ano voltem a concorrer e seja possível abraçarmo-nos pessoalmente na Feira do Livro de Lisboa.”
Será também este o desejo da Escola, que os alunos continuem a revelar a sua criatividade, imaginação e entusiasmo.
Parabéns Ana Luísa e respetiva professora de Português, Teresa Almeida!

Publicamos o texto vencedor:

Uma aventura na época dos Descobrimentos

Olá! Eu sou o Adolfo Cascais Monteiro e hoje vou contar a minha história. Eu nasci em 1480, nos arredores de Lisboa, numa família humilde. Durante a minha infância, passava horas no Restelo, junto ao Tejo, a ver as naus partir. Eu era, nessa altura, um miúdo sonhador, que imaginava como poderia ser divertido partir numa expedição de descoberta e aventura.
- Um dia hei de viajar num destes barcos e viver grandes aventuras – pensava eu.
Quando completei dezoito anos, esse momento chegou! Fui chamado para participar na viagem de Vasco da Gama à Índia. Eu nem queria acreditar!
No dia seguinte, apresentei-me no cais para dar início à viagem. A nau em que eu ia era enorme, podia levar duzentas pessoas. Era um navio oval, com três mastros e duas velas. Dentro do barco foi-me apresentada a tripulação: capitão, piloto, mestre, muitos marinheiros e ainda mais grumetes. Eu fui informado de que era um grumete, cargo que era atribuído a pessoas que vinham de famílias com menos dinheiro.
- Não era bem no convés que queria viajar, mas sempre posso percorrer o barco – murmurei eu.
- Ainda não te disseram? Nós nunca saímos daqui, a nossa função é lançar os cabos e limpar – apressou-se a dizer outro grumete.
- Como, vamos passar o tempo todo aqui? Eu queria subir ao mastro e conhecer a cabine.
- Nem penses, amigo! Mas também não terias tempo para isso!
A nossa conversa foi interrompida quando se aproximou o mestre para nos dar as tarefas. A minha era molhar o convés para que a madeira não secasse.
Durante muito tempo, trabalhei duro, porém estava tão curioso que tive de sair do convés. Era de noite, por isso, havia menos gente a trabalhar. Sorrateiro, lá fui eu… Já tinha visto quase tudo, só faltava encontrar o lugar onde guardavam a comida. Finalmente cheguei ao porão, onde havia biscoitos, pão, cereais, frutos secos, peixe fresco… Ia eu abrir uma porta, quando, de repente, o capitão apareceu. Como ele ainda não me tinha descoberto, e eu não queria um castigo, abri a porta para fugir. Pensava eu que conseguia esconder-me, mas estava lá um marinheiro de vigia para que não houvesse nenhum roubo. Mal eu entrei, este deu-me com uma frigideira na cabeça e eu desmaiei…
Quando acordei, vi que estava preso ao mastro, todavia, fingi estar desmaiado para descobrir o que me pretendiam fazer. Mal ouvi dizer que ia passar grande parte da viagem de castigo e a pão e água, fiquei apavorado e só pensei em fugir. Lembrei-me de ter visto uma canoa e, nessa mesma noite, consegui libertar-me, e fui pé ante pé procurá-la para não apanhar um castigo ainda maior. Quando me aproximava, ouvi uns passos. Então depressa retirei as cordas que a prendiam e lancei-a ao mar. Meti-me dentro dela onde passei bastante tempo à deriva no mar, até que, quando estava a desanimar e sem esperanças, avistei terra. Parecia uma miragem! Remei com toda a minha força para lá chegar.
Quando finalmente alcancei terra, apanhei alguns frutos exóticos para comer e maravilhei-me com a beleza da paisagem. Pareceu-me ver uns indivíduos pintados e nus, mas não liguei, pensei que fosse da minha imaginação devido ao cansaço. Passados alguns dias, avistei, ao longe, uma nau. Pensei que me tinham descoberto e, por isso, escondi-me. Quando os marinheiros chegaram a terra, apercebi-me de que não eram marinheiros da minha nau, mas que pertenciam à nau de Pedro Álvares Cabral. Ainda pensei dizer que tinha sido o primeiro a chegar às “Terras de Vera Cruz”, contudo, ninguém acreditaria em mim, por isso escondi-me nessa nau e voltei a Portugal.
Espero que quem leia a minha história acredite em mim e me ajude a divulgá-la, mesmo que eu já não esteja cá.

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